quarta-feira, 18 de junho de 2014

Um segundo de eternidade

Uma vez eu conheci um garoto em um samba na Lapa. 

Nos esbarramos na fila do bar. Ele com três garrafas de cerveja nas mãos e um sorriso travesso no rosto. Eu de vestido tomara-que-caia, sandália de dedo e uma flor no cabelo.

Ele pisou sem querer no meu pé e eu disse que só aceitaria suas desculpas se me desse um gole da cerveja. Ele me deu um copo e ficou surpreso quando eu o virei de uma só vez. Rimos.

Alguns de seus amigos vieram resgatar as garrafas, enquanto nós encontrávamos assuntos demais para simplesmente nos afastarmos.

Naquela noite, ele me contou sobre seus medos e seus sonhos.  Contou sobre algumas viagens e sobre seu intercâmbio nos EUA. Falou da saudade que sentia da mãe e de como amava samba.

Depois de alguns minutos conversando, eu disse: "me beija".

A eletricidade do ar envolvia nossos corpos, fazia nossos braços se arrepiarem, acelerava nossos batimentos em ritmo descompassado.

Um segundo de eternidade.

E bastava.


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