A primeira gota caiu em seu cabelo e ela olhou para o céu. Como pedacinhos de estrelas, os pingos grossos salpicaram seu rosto.
Sorriu e abriu os braços. Logo estava às gargalhadas. Feliz como há muito tempo não se sentia. Seu corpo agora todo molhado. O vento que batia, gelado, fazia seus pelos do braço se arrepiarem.
Como toda alma contente, procurou com quem dividir sua alegria. Mas por todos os lados, só água. Apenas a correnteza arrastando pessoas apressadas, sérias demais para apreciar a importância de um banho de chuva.
Como louca, dançou sozinha.
Deixando a chuva lavar seu espírito, seu corpo, seus pensamentos. Trazer nova esperança, novos sonhos, nova vida.
Algumas crianças, sábias como só elas, fugiram ao controle de seus pais e foram dançar também. Risadas e brincadeiras por todo o ar. Até que os adultos, muito sensatos, muito organizados, muito sérios, vinham arrancá-las à força da diversão para que não ficassem gripadas.
E, de repente, ele.
Não sabe quando começaram a dançar juntos. Nem como não notou que estavam de mãos dadas. Não sabe porque achou seus olhos tão familiares e aquecidos. Nem como...
Sorriram um para o outro enquanto a chuva unia seus corações.
Sorriram um para o outro enquanto a chuva unia seus corações.
Entrelaçaram os dedos encharcados e quentes.
Aproximaram-se como se o tempo não existisse.
Olharam-se nos olhos como se aquela fosse a única paisagem possível.
Abraçaram-se como amantes de longa data.
E, por um segundo, o mundo era só deles.
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