terça-feira, 17 de novembro de 2015

Lacuna

Só percebi depois de um tempo. Um longo tempo atravessado contracorrente, de chão lamacento e pegajoso: depois de um tempo, a gente esquece. 

Esquece as datas importantes. O
s detalhes do primeiro encontro. Quando começou a dar errado. 

Na correnteza do tempo, viram poça o gosto do beijo, o brilho dos olhos, o som da voz. O musgo cresce por cima do que fora paixão, cobre o que chamamos de amor, apaga o inesquecível. 
A névoa encobre seu rosto, o olhar que jogava sobre mim enquanto me tocava. 

O sentimento se dissipa; fina linha de fumaça bailarina.  

E de repente, a gente esquece.

Olhei uma foto sua hoje. Não te reconheci.  

Um comentário:

  1. Lembrei de uma música que a Clarisse Falcão canta.
    Gostei da Lacuna. "Depois de um tempo, a gente esquece".

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