terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Tivemos nossa chance

Quando foi que eu te perdi? Você me perguntou ontem, quando me encontrou naquele Café que eu adoro, lendo um livro do Cortázar.  Levei meio segundo para entender. Você sentou-se ao meu lado e repetiu. Quando foi que eu te perdi? Pousei o livro sobre a mesa e sorri. Depois de tanto tempo? Você assentiu. E então eu respondi:

Lembra quando você sumiu pela primeira vez, logo quando começamos a nos conhecer? Eu te liguei, você não retornou. No dia seguinte mandei mensagem, você não respondeu. Depois de três dias você apareceu no WhatsApp dizendo que tinha ficado sem celular. Ali, eu perdi uma parte das minhas expectativas.

Lembra quando eu disse que queria te ver e você disse que estava ocupado, que não tinha hora pra sair do trabalho? Uma amiga me contou que você a convidou para ir num bar na mesma noite. Ali, qualquer chance que eu tinha de confiar em você se perdeu.

Lembra quando eu disse que estava com saudades? Você disse que iríamos resolver isso. Assim, como se eu estivesse dizendo que o pneu do carro tinha furado. Ali eu perdi minhas esperanças.

E, então, virei a página.

Foi engraçado o jeito como me olhou. Pareceu que eu falava uma grande novidade, como se você não tivesse feito parte da história.
Mas eu te procurei. Eu quis mudar isso.

Tarde demais, eu disse. Mas... não era pra ser, certo? Eu me apaixonei por você, você não se apaixonou por mi. Tivemos um desencontro... Acontece tanto. Não me arrependo de nada do que aconteceu entre a gente. Tivemos nossa chance.

Depois de alguns minutos nos separamos.
Voltei a ler meu livro e sua última pergunta se misturou a uma das frases do escritor poderíamos ter outra chance?

Sorri. Provavelmente, não pensei.

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