Talvez seja porque o fim do ano se aproxima - sempre fico sensível nessa época. Talvez seja o calor insuportável que faz lá fora e o tédio que é ficar em casa. Talvez seja só mais um dia em que seu espectro resolveu visitar meu quarto. Talvez não seja nada disso.
Não sei, mas hoje acordei com aquela vontadezinha de você, sabe? A mesma de alguns meses (anos, dias) atrás e que tinha conseguido guardar dentro de alguma caixa de sapato. Estarmos separadas - eu e a vontade - fez o não esperar quase tão real quanto esperar. Quase me fez acreditar que posso ser assim. Essa pessoa que não quer o que mais deseja.
Mas aí, hoje. Alguma coisa, talvez uma rajada forte do ventilador ligado em meu quarto, alguma coisa abriu a caixa de sapato e, então, você. Com a mesma força de costume. E a pergunta que odeio repetir pra mim mesma, mas que vem sem que eu possa impedir: quando?
Tentei me distrair. Li, ouvi música, tentei ver um filme do Woody Allen. Mas depois de alguns minutos de concentração, lá estava você. Entre uma frase e outra do livro, nos acordes da canção, logo atrás do personagem principal do filme.
Voltei a me sentir daquele jeito. Quase havia me esquecido da sensação. Querer fechar a porta do quarto e querer estar com todos ao mesmo tempo. Voltar a me sentir estranha.
Talvez seja saudade. Talvez seja falta. Talvez seja tédio.
Possivelmente é só calor.
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