Hoje eu acordei assim. Com aquela tristeza que há muito não sentia. Que há tempos tinha conseguido embotar, esconder, disfarçar dentro de mim em algum lugar inalcançável. Hoje ela escapou. Encontrou uma brecha na alma, um espaço no coração, um abrigo no peito.
Voltei a pensar em você. Depois de tanto tempo, voltei a chorar. Quebrei todas as minhas promessas de não falar, lembrar ou escrever sobre você.
Você.
Que tão facilmente seguiu em frente.
Hoje eu acordei querendo voltar no tempo, não ter te conhecido. Querendo esquecer os maus e, principalmente, os bons momentos. Mas até o rádio tocou aquela música que tem seu cheiro, afogando meu espírito na falta de ar.
Chorei.
Chorei.
Hoje foi difícil levantar da cama. Esbarrar com seu fantasma pairando sobre os móveis da casa, nas janelas dos prédios, nas pessoas que passavam. Foi como nos velhos tempos. Aqueles em que a tua ausência sobrava por todos os cantos.
Me olhei no espelho e encarei olhos magoados, fazendo companhia em par à solidão. Reflexo de sentimentos que julgava não ter mais.
Ilusão.
Hoje acordei querendo dormir. Dormir até o mês que vem. Até tudo isso sair de mim de vez. Até tudo isso acabar. Implorei a um ser invisível que me salvasse de você.
De mim.
Hoje eu acordei assim.
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