Pra ler ouvindo: Silêncio das Estrelas | Lenine
Esqueceu como era feito. Lembrava que muitos ajoelhavam naquele momento, então, ajoelhou-se ao pé da cama e tentou. Juntou as mãos e fechou os olhos.
Esqueceu como era feito. Lembrava que muitos ajoelhavam naquele momento, então, ajoelhou-se ao pé da cama e tentou. Juntou as mãos e fechou os olhos.
Nada.
O que deveria dizer? Como começar? Querido, Deus? Amado, Pai? Não sabia. Sentiu-se meio ridícula. Um raio de luar banhava sua cama enquanto pensava que, se existia Deus, ela provavelmente iria pro inferno.
Desistiu.
Levantou-se e abriu seu caderno. Não sabia rezar, mas precisava livrar-se do aperto que esmagava seu coração. Amenizar o desespero que a impelia a chorar e sequestrava o choro na garganta, tornando seu corpo represa. Na folha branca, com mãos trêmulas, palavras urgentes insurgiam. Súplica? Desabafo?
Os dois?
Escreveu até criar calos e tornar seus dedos insensíveis. Tentativa descontrolada de fazer a insensibilidade (tão confortável, tão segura) encontrar caminho em suas veias e chegar ao coração. Seria possível?
Escreveu até criar calos e tornar seus dedos insensíveis. Tentativa descontrolada de fazer a insensibilidade (tão confortável, tão segura) encontrar caminho em suas veias e chegar ao coração. Seria possível?
Escrevia.
E sem notar, fazia da folha seu Deus. Fazia das frases, palavras unidas pelo sentimento, sua oração. Fazia daquele frenesi, seu encontro sagrado. Seu corpo desaguava num pequeno universo pautado, todo branco.
Paz.
Mesmo que por um segundo. Do pulsar da primeira letra à pausa lancinante do ponto final.
Paz.
Mesmo que de ilusão.
Deitou em sua cama, de costas para a lua. O brilho refletindo em seu cabelo. Conseguiu chorar. Por horas.
Ou minutos?
Ou minutos?
Não saberia dizer. Não importava.
Embalada pelo silêncio das estrelas, da alma e das palavras, dormiu.
****
"Solidão, o silêncio das estrelas, a ilusão..."
Embalada pelo silêncio das estrelas, da alma e das palavras, dormiu.
****
"Solidão, o silêncio das estrelas, a ilusão..."
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