sexta-feira, 21 de março de 2014

Ela sorri

Ela sempre sorriu. Desde criança, era o que mais chamava atenção em seu rosto redondo. Olhos pequenos, maçãs altas e um sorriso de tirar o fôlego. Alegria, felicidade, luz... tudo estampado na curta extensão de uma ponta a outra de sua boca rosada. 

Seus amigos na escola, e depois na faculdade, gostavam de estar ao seu lado, desfrutar do seu astral, se contagiar com a energia boa que fluía tão facilmente dela. 

Por isso, é difícil dizer quando o sorriso passou a ser mentira. Não sabe em que ponto da vida, o que era tão fácil e natural, se tornou um disfarce. Em que momento, alguma coisa dentro dela morreu, deixou de existir, feneceu.

O sorriso permaneceu. Igual em sua beleza, totalmente diferente em seu sentido.

Engraçado é que ela sempre achou que tinha uma tendência à tristeza. Mesmo quando o sorriso era tão real quanto suas veias. O fim do dia era sempre noite. Enfrentar o travesseiro e seus pensamentos, noite após noite, um açoite ao sorriso. Então, quando percebeu, não havia mais dia. Havia noite. Nem sempre estrelada, nem sempre com luar.

E o sorriso permaneceu.

Por que?

Não sabe. Talvez porque assim seja mais fácil. Mais fácil atravessar os dias noturnos, suportar sua alma tão só, abrigar seu coração tão vazio. 

Por que sorri?

Esqueceu o porquê. Mas ainda sente nele um amigo. Um porto seguro.  Como se nele houvesse um lugar para voltar, uma versão sua há muito esquecida, mas escondida, esperando ser encontrada.

Então, ali está ela. Com olhos entristecidos pelo tempo.

Sorrindo.

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