O gosto do pão fresco lembra a
primeira vez em que nos vimos. O leite quente e o café recém passado; aroma de
nascer do sol.
A janela derrama luz amarela sobre
a mesa e escorre pelos meus cabelos. Deixa meus olhos um tom mais claro. Como você,
que deixa tudo um tom acima.
A fumaça do bolo de fubá dança pelo
ar. Às vezes, se mistura com o fio de nuvem que sobe do chá e, entrelaçadas,
giram num balé gracioso igual ao nosso.
O tilintar da colher na xícara enquanto misturo o açúcar no café lembra sua risada naquela tarde chuvosa. Quando dormimos juntos e soube que tudo seria diferente dali em diante.
O tilintar da colher na xícara enquanto misturo o açúcar no café lembra sua risada naquela tarde chuvosa. Quando dormimos juntos e soube que tudo seria diferente dali em diante.
Então, você. Com um beijo doce senta ao meu lado e rouba um gole do meu café. Deixo. Como tenho deixado você roubar outras coisas: a solidão, o cansaço,
o mau-humor. E essa sensação de
que quanto mais me rouba, mais eu ganho.
Faço questão de não estragar tudo. Por isso não ligo a TV no jornal matinal nem pego o jornal que o entregador jogou ainda agora na porta. Pra que trazer o mundo pra dentro de casa se já temos tudo?
Não.
Apenas ligamos o rádio numa estação dessas que toca música dos anos 20
e ficamos assim: café, bolo e amor. Pra que mais?
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