quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Meu cabelo duro é assim

Bombril, toin oin oin, puxa-estica-solta-enrola, rebelde, juba, pixaim, indisciplinado, duro. Os apelidos eram infinitos. Por isso, cresci achando que o meu cabelo era motivo de vergonha. O rabo-de-cavalo feito por minha mãe, na minha cabeça (literalmente), era a única maneira de usá-lo. Prender a juba e parecer uma pessoa normal.


Quando criança, ficava admirando o cabelo liso das meninas da escola como quem olha uma boneca nova. E sempre que via minha irmã do meio, a Mariana, desfilando suas madeixas lisas e pesadas, me perguntava por que não tinha nascido igual. Lembro que, quando tinhas uns 9 ou 10 anos, toda noite antes de dormir, pedia para Deus me fazer acordar de cabelo liso.

Pode parecer bobeira, mas tudo isso não me fez ter uma relação de amizade com meu cabelo.  Passei parte da adolescência detestando meus cachos e aos 18 anos comecei a estragá-lo com a tríade alisamento-escova-chapinha.


Praia, piscina, cachoeira, banho de chuva. Durante 11 anos deixei de aproveitar todos esses prazeres porque não podia molhar o cabelo. As pessoas riam, julgavam, brigavam.  Larga de frescura, não sei como você consegue, Deus me livre viver assim. Eu ria, fingia levar na brincadeira, mas ficava um pouquinho magoada. Escolhas são escolhas. Aquela era a minha. Ninguém, ninguém!, me perguntou uma vez sequer como era fazer esse sacrifício e a razão de tanto zelo.

Agora, com os 30 batendo à porta, e alguns anos de experiência e histórias vividas, me senti à vontade de, pela primeira vez, me libertar dessa prisão. Em um fim de semana com amigos, em que teria praia, piscina e até chuva à minha disposição, decidi passar os dias com o cabelo natural. Fazia tanto tempo que não o via sem escova, que mesmo pra mim seria uma surpresa ver como ficaria.

E olha, até que não ficou tão ruim.



O melhor dessa experiência é saber que, daqui pra frente, nunca mais vou me preocupar em molhar o cabelo em público. Liberdade, ainda que tardia.

Confesso que ainda não me sinto totalmente livre para eliminar a tríade alisamento-escova-chapinha do meu dia a dia, mas só o fato de poder me livrar dela nos momentos de lazer, me deixa uma balzaquiana incrivelmente feliz.


8 comentários:

  1. Eu nunca entendi, mas também nunca fiquei zoando, Apelo contrário. Até porque sempre achei você linda fosse qual fosse o cabelo usado. Particularmente eu sempre preferi o curtinho, tipo black power, do seu tempo de criança. Mas, já que você decidiu, libertas quae sera tamen ! Garanto que continuarás linda por mais quarenta anos. No mínimo! Bjs do seu lindão!

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  2. Um pouco além das questões socio-culturais provenientes de uma pressão "caucasiana" de cabelos lisos, já muito comentada em outros segmentos, e, um pouco além da questão de sua liberdade, digo: Dreads, pense nisso! Bjãoo

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  3. Juuuuuuuuuuuuuuu, que coisa linda! <3 Você tem o direito de ser como quiser e quem quiser. É linda com cabelos lisos e com cabelos naturais. O mais importante é vc ser feliz e se sentir bem c você mesma!!!!

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  4. Este comentário foi removido pelo autor.

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  5. Ju, você é linda de qualquer jeito. Sempre foi.
    Viva a liberdade
    Lídia
    (não sei como coloco minha foto, rs).

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  6. Ah, Ju, eu nunca concordei com essa ditadura do cabelo liso, mas quem sou eu para falar? Nunca fui vaidosa. Toda vaidade requer um sacrifício; alguns são enormes e outros pequenos. O seu eu jamais encararia. A sensação de mergulho na água é um dos melhores momentos que tenho na vida.
    Que felicidade você se livrar desse peso! E, com certeza, você é linda com qualquer penteado.

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  7. Este comentário foi removido pelo autor.

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  8. E essa ultima foto?
    Que foto!!! Linda!

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