quinta-feira, 24 de abril de 2014

A cama

Colocou a mala no chão e sentiu-se esquisita. A cama estava como deixara. Colcha de retalhos, almofadas, travesseiros.

Atrás de si, dias inesquecíveis.

Sentia saudade. Do lugar, do calor, do suor, dos lençóis.

Mas era bom olhar sua cama.

Deixar a aventura de transgredir a rotina e colocar os pés de novo no chão familiar, seguro e  conhecido.

Sentia saudade e voltaria se pudesse. Sentia saudade e teria ficado mais tempo. Sentia saudade e deixaria os insetos voltarem a picar suas pernas e braços porque sabia que aquele era o pequeno preço a pagar para chegar perto das borboletas.

Mas era bom olhar sua cama.

A saudade era gostosa e não triste. A saudade era o álbum de fotografia que só sua mente podia guardar. Eram os sabores que só seu paladar podia sentir. A sensação da água arrepiando sua nuca que só sua pele podia experimentar. A saudade era o céu estrelado que, ao fechar os olhos, podia ver, sentindo o vento bater em seu rosto.

Mas era bom estar de volta.

Porque nada é para sempre, exceto a saudade - linha imaginária, jeito mais humano que temos de nos aproximar da eternidade.

E sua cama estava ali, à espera.


3 comentários:

  1. Poesia linda e muito alegre (hehehe), Jujubinha. Lembranças incríveis devidamente registradas com a sutileza (de sempre) das suas palavras! Beijos da florzinha! :)

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Florzinha! rs Que saudade de vc. Vê se não me abandona hem... Nem eu, nem o blog! :*

      Excluir
  2. JULIANA,

    voltar e com saudades é a melhor prova de que, dali não deveríamos, nunca ter saído!

    Um abração carioca.

    ResponderExcluir