sábado, 25 de janeiro de 2014

Separação

Foi naque dia. Desde aquele dia cinza em que você juntou sua coisas, pendurou a mochila nas costas e disse "tchau".
Você não sorriu nem chorou. Apenas olhou uma última vez para mim, com a mão já na maçaneta da porta, e disse "tchau".
A secura de seus olhos, tão decididos, tão resolutos, era uma afronta aos meus, mergulhados numa tristeza sem fim. Um mar de ressaca.
"Por favor, fique comigo", meu peito gritava em desespero, ensurdecendo o silêncio cruel pairava sobre seu tão seco e determinado "tchau".
Mas você não ficou. Atravessou a porta sem olhar para trás e foi embora.
Foi a partir de então que, sem me levar, você sequestrou-me de mim. Livre e refém, acompanhada da implacável solidão, me tornei uma versão em preto e branco de mim mesma. Filme mudo cujo único som ouvido é o seu tão seco, tão certo, tão atroz "tchau".

Um comentário:

  1. Vejo que o tema amor também é o seu predileto! Amando lê-los! Viajando nas imagens, às vezes com o coração apertado, às vezes acelerado. Ju, você é um doce e suas poesias um convite ao amor!

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