Tia,
conta uma história?
O
pedido não é nenhuma novidade.
Gabi tem
quatro anos. Não sabe juntar as letras ainda, mas é leitora ávida.
Sempre que entra no meu quarto, vem com o pedido mais fácil pra essa tia aqui,
apaixonada por livros.
No
último fim de semana, quando respondi “escolhe um livro” e apontei pra estante,
ela andou até a mesa, ignorando minha direção, e pegou um que estava separado
por causa de meu curso de literatura infanto-juvenil.
Sentei
na cama para começar a leitura e Gabi logo se aboletou do meu lado.
Que tal
você ir me contando? Sugeri, já que era um livro
de ilustrações.
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| Capa: Minha vó sem meu vô |
Ler ou não ler
pra uma criança? Será que elas são capazes de enfrentar tais assuntos, ainda
que tratados de forma lúdica? É realmente necessário abordar
esses temas entre elas?
Sem
pretensão de encontrar respostas, abri o livro.
A cada
página que se seguia, sua imaginação ia descrevendo as imagens e contando a
história que seus olhos pueris, tão longe de referências adultas, iam
descobrindo.
Olha, a
Vó tá cinza. Comentou observadora e sensível. E
por que, Gabi? Porque o Vô foi morar em outro país.
Sorri,
discretamente.
Jogadas
em uma roda, tais perguntas teriam diversas respostas, com os mais diferentes
argumentos.
Sorri,
discretamente.
Livros também preparam. Uma aluna disse no meu curso, quando alguém disse comentou que não
leria o livro para seus filhos.
Por
isso, quando Gabi interpretou que o vô tinha ido pra outro país, sorri.
Acaso não é a morte um país desconhecido que todos vamos visitar um
dia?
Orgulhosa
de minha pequena, meu sorriso se alargou ainda mais quando, pegando o livro de
minhas mãos, disse toda faceira vamos ler de novo, tia!
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Minha vó sem meu vô foi um dos vencedores do prêmio Jabuti de 2017.
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Minha vó sem meu vô foi um dos vencedores do prêmio Jabuti de 2017.
