O azul do
céu e o azul do mar. É isso que aparece quando penso em você.
Gosto de
fechar os olhos e voltar pra pedra do arpoador. A gente olhando toda a imensidão,
esperando um pôr do sol que não viria, já que o céu tinha preferido ficar cinza
naquela tarde. As matizes azuis envolvendo a praia, o morro dois irmãos, meu
espírito. O cheiro de sal, que eu tanto
amo, e a brisa gelada batendo na gente, contrastando com meu coração, tão
aquecido.
Gosto de
voltar a ouvir as ondas batendo na pedra, quando lembro de você. De observar os
pescadores lá embaixo, jogando redes e anzóis, enquanto sinto seus olhos sobre
mim, sorrindo.
Tivemos tão
pouco tempo, todo tempo do mundo.
Tempo de
deixar a praia vermelha mergulhar na gente e o céu escuro embriagar meus olhos.
Olhos de maresia, castanhos, seduzindo você a banhar os pés.
Tempo de
visitar a Lapa e nos perdermos em carinhos no meio da avenida, entre carros,
buzinas e pessoas dançando. De acordar com o coração aos pulos, com a promessa
da tarde que viria.
Nós dois.
Pelas ruelas do Rio (o encontro dos rios), de mãos dadas. O sorriso e a vontade
crescendo. O medo indo embora.
Todo tempo
do mundo.
Para ser
minha sendo sua. Deixar você descer o zíper do meu vestido, enquanto minha
respiração acelera no teu ouvido e no teu corpo.
E depois,
cansada, dormir no teu peito.
Para
passear por Santa Teresa e navegar pelas curvas do bairro, sentindo suas mãos
navegando em minha cintura.
Tivemos tão
pouco tempo.
Todo tempo
do mundo.
Olho para a
garrafinha de vidro que você me deu, recheada de Tsurus coloridos.
Sorrio.
Toda vez.
