Dançam juntos.
Fazia tempo, ela queria aquela dança.
Tocam-se. Olhares e sorrisos. Nenhuma palavra.
O compasso pulsa em suas veias.
Nenhuma palavra.
Três minutos.
Só três minutos.
Tudo bem.
Procura-se poesia / Na clara luz do dia / Na noite escurecida / Na tua alma perdida / E na minha, e na minha...
quarta-feira, 31 de agosto de 2016
terça-feira, 23 de agosto de 2016
Engrenagem
meus olhos são idioma
meu sorriso, porta de entrada
meu corpo, manifestação.
meu choro diz a verdade
minhas mãos caminham desejos
meus pés desejam caminhos
meus lábios, guardiões indecisos
de um céu imenso infinito
vomitam engolindo versos
meu peito, engrenagem
defeituosa. gira para
volta a girar
A todos não sei quem governa
apartidário que é
meu coração.
meu sorriso, porta de entrada
meu corpo, manifestação.
meu choro diz a verdade
minhas mãos caminham desejos
meus pés desejam caminhos
meus lábios, guardiões indecisos
de um céu imenso infinito
vomitam engolindo versos
meu peito, engrenagem
defeituosa. gira para
volta a girar
A todos não sei quem governa
apartidário que é
meu coração.
segunda-feira, 22 de agosto de 2016
Eu sei
Para ler ouvindo: Game for fools | Jamie Lidell
Mandou o texto.
Seu coração palpitava como se estivesse se preparando para o primeiro encontro entre
eles, embora isso já tivesse acontecido. Não imaginou que ele quisesse ler
algum conto seu.
Já tinham
conversado sobre sonhos, certa noite, naquele quarto pequeno, bagunçado e cheio
de estrelas. Confessou, entre lençóis, risos e beijos, que queria ser
escritora. Com a voz um pouco baixa e reticente, como se a palavra escritora fosse preciosa demais para ser
dita assim, sem cuidado. Ele passou as mãos em seu cabelo e disse que não sabia
que sonho tinha. Que ia vivendo um dia de cada vez, sem prospectar o futuro. Se
entrelaçaram e esqueceram o assunto.
E agora,
depois de uma conversa despretensiosa sobre um conto que escrevera pra aula de
Literatura, o pedido mais íntimo que ele podia fazer a ela. Gostaria de ler. Seus olhos brilharam. Tem certeza? quer dizer... Eu ainda tô
aprendendo. Ele riu da timidez dela. Me
manda, prometo não pegar pesado nas críticas.
Foi a primeira
coisa que fez ao chegar em casa. Sentou em frente ao computador e escreveu o
email. Um pouco trêmula de nervosismo e felicidade. Como prometido, vai o texto que levei pra aula ontem. Lembrando que a
aula é de Literatura Infantil, então... Não queria mostrar insegurança,
embora as reticências ao final lhe traíssem um pouco.
A falta de resposta
a fez imaginar que ele falaria sobre o conto quando se encontrassem novamente. Expectativa
que foi logo derrubada depois de se verem algumas vezes e ele não comentar nada. Será que não gostou?
Tentou não ligar para o silêncio, mas depois de um tempo, deitados naquele quarto que tanto
amava, ela perguntou, entre um papo e outro, pra não parecer cobrança (ou mágoa),
eu te mandei aquele conto que a gente
conversou uma vez, lembra? Achou muito ruim? E riu, pra parecer que não se
importava tanto assim. Ah, sim. Acabei
não lendo. Quando conseguir te falo. Ela assentiu e se esforçou pra não parecer chateada.
Não tocaram
mais no assunto.
Ele nunca leu
o conto.
Em seu último encontro,
aquele em que cumpririam as meras formalidades para um término decente, uma
água e um café pra dizer me apaixonei por
você e ouvir não quero me envolver
nem te magoar, ele lembrou do conto. Pensei em ler hoje, mas...
Eu sei, ela completou.
****
Don`t you wait until it's too late
Until something inside has died...
****
Don`t you wait until it's too late
Until something inside has died...
sexta-feira, 19 de agosto de 2016
Só
Para ler ouvindo: Love is a losing game | Amy Winehouse
O caminho é inverso. A salvação - será que existe? -, não consigo enxergá-la. Seria bom que houvesse. Será que existe?
O caminho é inverso. Doloroso também. A paisagem não é bonita, embora haja flores.
Eu quero fugir. Não adianta fugir.
Nem questionar.
Só você se tem.
Só você.
Só.
***
Self professed, profound
Till the chips were down
know you're a gambling man
Love is a losing hand
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