Eu achei que não fosse escrever nada sobre o dia de amanhã. Acabou que, como tudo na minha vida, isso também virou motivo pra colocar algumas palavras pra fora. Uma delas – e talvez a mais aterradora – é a de que eu tenho pouquíssimas certezas sobre mim. Com (quase) 30 anos sei de mim tanto quanto sabia aos 20 ou aos 15:
Azul é minha cor preferida. Lealdade é uma das minhas melhores qualidades. Me importar demais é um dos meus defeitos. Cinema me diverte. Dançar transforma meu estado de espírito. Ler é mais do que um hobby. Poesia me acalma. Músicas podem controlar meu humor. Café da manhã é minha refeição preferida. Pressão me dá dor de estômago. Minha família é oxigênio. Meus amigos, água.
Fico assustada como tudo o mais muda um pouco todo dia. Como respostas de grandes – e importantes – perguntas são imprecisas. O que quero da vida? Qual meu maior sonho? Que fazer quando alcançá-lo? Pra todas elas, olhos perdidos, coração fora do ritmo e um enorme e errático “às vezes sei, às vezes não sei”. Gosto de imaginar (ou vai ver é só um consolo) que as respostas estão escondidas no dia a dia, nas pequenas descobertas fazemos sobre nós mesmos.
Sabem, as pessoas ficam repetindo que 30 é a melhor idade. Talvez tudo esteja virado quando eu chegar. Por enquanto, aproveito meu último dia com apenas 29 anos. Com incertezas e imprecisões. Mas, principalmente, dentro da menina que ainda dança até o sol raiar, e que, certamente, não vai sumir depois dos 30.