Não sei se o vermelho do chão de
barro, as estrelas de uma cidade quase sem luz, o verde sem fim ou o azul
cristalino das águas. Talvez o negro da pele dos nativos ou o brilho inocente e
livre nos olhos das crianças. Não sei qual dessas cores não sairá mais de mim.
Nenhuma, acho. Porque o Jalapão é tudo isso, e um lugar desses, depois de
desbravado, fica com a gente. Muda a gente.
Foram 7 horas de Palmas a
Mateiros. 7 horas de estrada de barro, esburacada, perigosa. 7 horas sem ver um
sinal de vida humana. E um pôr do sol perfeito que inaugurou uma das melhores
viagens que já fiz.
Sem sinal de telefone, sem sinal
de internet. Sem contato com o mundo além dos 2 mil habitantes de Mateiros;
além da casa de Dona Nadir, onde 9 cariocas impregnados de tecnologia e
estresse urbano encontraram algo que na cidade grande falta em abundância:
tempo.
Lugar de comer na casa dos outros porque restaurante não tem. De degustar uma galinhada fresquinha, porque a galinha foi morta pouco antes para o almoço. De sentar à mesa e prosear como só no interior se faz, com desconhecidos, aventureiros e gente humilde que recebe você com o coração aberto. Lugar mágico, onde o capim tem cor de ouro.
No jalapão, meus amigos, é
possível voar dentro d’água. Não sentir o chão e não afundar. Dá vontade de virar peixe, de mergulhar pra
sempre naquela sensação de fazer parte daquilo. De ser tão perfeito quanto a
Natureza.
Lá existem cachoeiras de água
fresca e azul. Hidromassagens naturais que, além de deixar seu corpo relaxado,
deixam o cabelo macio e brilhoso. Existe uma Pedra Furada que te faz sentir
pequeno e imenso. Uma cachoeira chamada Velha, mas que te rejuvenesce só de olhar. E dunas laranjas que, sob a luz do sol, parecem o entardecer vestido em grãos de areia.
Mas também é lugar de superação. De fazer uma trilha de madrugada, iluminando a subida de cascalhos, pedra e mato com apenas uma lanterna e os comandos dos amigos mais adiantados. O objetivo: ver o nascer do sol a 800 metros do solo. Depois, sobre a chapada, andar mais 3 mil metros e encontrar um cobra de duas cabeças (venenosa) no meio do caminho só para aumentar a emoção. E a sensação de conseguir... Bom, acho que a foto mostra tudo.
E as crianças de Mumbuca.
Pés descalços em contato com terra e sonhos, mão sujas de barro e cheias de imaginação, sorrisos inocentes maiores do que mundo e aquele brilho intenso nos olhos, igual ao de qualquer outra criança. Felicidade de fazer dançar sozinho, como o Enzo de 3 anos, que flagrei arriscando uns passos em uma das casas que visitamos. Ou com a criatividade intacta (que os tablets-barra-celulares-barra-joguinhos eletrônicos andam roubando de nossas crianças urbanas), como o Izequiel e sua roda de bicicleta. “Pra onde ela vai te levar, garoto?” ”Pra onde eu quiser”. Sim, Izequiel, espero que você possa mesmo ir para onde quiser. Por que não?
Pés descalços em contato com terra e sonhos, mão sujas de barro e cheias de imaginação, sorrisos inocentes maiores do que mundo e aquele brilho intenso nos olhos, igual ao de qualquer outra criança. Felicidade de fazer dançar sozinho, como o Enzo de 3 anos, que flagrei arriscando uns passos em uma das casas que visitamos. Ou com a criatividade intacta (que os tablets-barra-celulares-barra-joguinhos eletrônicos andam roubando de nossas crianças urbanas), como o Izequiel e sua roda de bicicleta. “Pra onde ela vai te levar, garoto?” ”Pra onde eu quiser”. Sim, Izequiel, espero que você possa mesmo ir para onde quiser. Por que não?
Conhecer o Jalapão era um sonho
antigo, guardado cuidadosamente na gaveta do “um dia eu vou”. Fui, então,
quando menos esperava e mais um item da lista foi riscada. Conhecer um lugar
lindo e exótico antes dos 30. Já conheço alguns, mas o Jalapão era tão sonho
quanto os lençóis maranhenses. É bom poder dizer que os dois lugares foram
cortados da listinha.
Pra me despedir, as vozes das crianças e o hit do meu Carnaval:
Pra me despedir, as vozes das crianças e o hit do meu Carnaval:
O Jalapão aaaama vocêêê













