Ouvira em algum lugar, há muito tempo, que os maiores problemas da vida não são aqueles com os quais vivemos nos preocupando e sim os que aparecem numa terça-feira chuvosa, enquanto mascamos um chiclete.
Ouvindo sua canção favorita, não conseguia parar de pensar em como a afirmação estava correta. Lembrou que estava conversando com uma amiga quando ligaram para avisar que sua avó tinha morrido, anos antes. E que voltava da faculdade quando soube que seu pai estava no hospital por causa do coração. Que tinha acabado de chegar do trabalho quando encontrou sua irmã chorando para contar que sua mãe estava doente.
Ouvindo sua canção favorita, não conseguia parar de pensar em como a afirmação estava correta. Lembrou que estava conversando com uma amiga quando ligaram para avisar que sua avó tinha morrido, anos antes. E que voltava da faculdade quando soube que seu pai estava no hospital por causa do coração. Que tinha acabado de chegar do trabalho quando encontrou sua irmã chorando para contar que sua mãe estava doente.
Por isso, não era a primeira vez que o medo e a tristeza invadiam sua vida. Não era, nem de longe, a primeira vez que fazia do travesseiro seu amigo mais fiel.
Em algum lugar de sua memória, no entanto, uma esperança se guardava. E ela podia quase tocá-la ao olhar, pela janela, o novo dia que nascia.
Afinal, sempre haveria dança
música
cinema
livros
Sempre haveria um lugar pra fugir
Ou uma cama pra voltar
Um amigo pra levantar
E fazer sorrir
Sempre haveria um solo de guitarra
Sempre haveria um solo de guitarra
Pra ouvir
Um solo de piano
Pra tocar
Um dedilhado no violão
Pra estudar
Afinal, sempre haveria poesia
E onde há poesia
Há paz.



